A imagem acima ilustra o que pretendo dizer, nesse post. O assunto é "educação". Não aquela educação formal, que recebemos na escola, mas aquela que trazemos (ou devemos trazer) de casa. Falando por minha própria experiência, posso dizer que recebi uma boa educação, por parte dos meus pais.
Ontem estava com minha mãe, pelo Dia das Mães, e conversávamos sobre os acontecimentos do Dia 29 de Abril, entre outros. Ela disse que ficou feliz por eu não ter "me metido em encrencas", e eu respondi que a "encrenca" quem criou não fui eu, e nem meus colegas professores, funcionários de escolas ou funcionários públicos, em geral.
Depois, quando vinha embora para casa, refletia sobre esse aspecto da minha criação, e lembrei de certas passagens da minha infância, que té me fizeram rir: minha mãe sempre fez questão de me orientar como me comportar, em ambientes públicos, a não ficar pedindo comida quando fosse na casa de outras pessoas (mesmo que fossem parentes), que sempre falasse a verdade, que não falasse alto e nem falasse palavrões, entre outras coisas.
É claro que, quando eu era criança e adolescente, pouco ligava para esses ensinamentos. Mas, com o passar do tempo, e devido à minha profissão, fui vendo como ela tinha razão. A boa educação abre portas, a verdade liberta e o respeito é um bom norteador de relações sociais e profissionais. E sendo professor, isso se tornou uma premissa.
É claro que não sou "santo", e ontem ainda falei um pequeno palavrão, e ela logo me chamou a atenção: "não fale palavrão"! E eu ri, pois ela sabe que será ouvida, e eu sei que ela faz isso pelo meu bem...
Digo isso primeiramente pela dificuldade que as pessoas têm em diferenciar "palavrão" de "chamar a atenção". Várias vezes tive a oportunidade de "chamar a atenção" de alunos, e eles acharem que eu estava falando palavrões. Teve uma vez em que perguntei ao aluno se a "mãe dele não tinha lhe dado educação" e ele quase avançou em mim: "não fale da minha mãe!" Esse é apenas um exemlo de como as pessoas não ouvem, não prestam atenção ou não compreendem o que lhes é dito. E não fazem muita questão de aprender. Pena...
Pena, porque vemos crianças que jogam papel no chão, meninos que batem em meninas, falam palavrões, não andam pela calçada, colam na prova, ultrapassam com sinal vermelho, traem namorado ou namorada, esposos, e cometem outras contravenções, e acham que é normal. E pior: não aceitam que alguém lhes diga que é errado e que precisam corrigir ou fazer "o certo".
Onde quero chegar? Primeiramente, que hoje as pessoas não respeitam muito as regras, mas querem que os outros respeitem. E quando alguém faz a coisa certa, passa por "besta", "bobo", "trouxa"...é uma inversão de valores. Valores que nos foram passados por nossos pais, que temos tido dificuldades em passar para nossos filhos e alunos, e que muitos têm crescido sem esses valores éticos, morais, de respeito e amor ao próximo, que tem tornado cada vez mais difícil a convivência...
E o que dizer do dia 29 de Abril? Professores, estudantes, funcionários públicos, pessoas que estudam ou ensinam, que têm curso superior, que escrevem artigos, pesquisam, refletem, lecionam, procuram propagar "o certo", mesmo sendo chamados de "trouxas". E o que recebem do Governo que deveria incentivar a boa conduta?
Gás, spray de pimenta, balas de borracha atiradas no tronco, braços e no rosto, enquanto pessoas filmavam e riam dessa cena grotesca. Professores que, como pais, deveriam ser respeitados pelo simples fato de tentar ensinar "o certo" para seus alunos, assim como os pais, e muitas vezes, mais do que eles. Pais modernos "correm" o dia todo, e muitas vezes deixam não só a educação formal para os professores, mas também regras básicas, como dizer "obrigado", "com licença", "por favor".
E a esses professores, foi dito o quê? "obrigado"? "Por favor"? "Com licença"? Não....fomos tratados na bala, no gás, e no escárnio. E acho que o pior de todos foi o escárnio. Feridas doem mas saram. Mas e o respeito? Como iremos encarar nossos alunos e exigir respeito deles, se nem os governantes e algumas pessoas da sociedade, adultas, não respeitam? Como iremos ensinar "o certo" para nossos alunos e filhos, se o exemplo que eles têm é o contrário?
Portanto, gostaria de concluir essa reflexão com a ideia de que estamos em greve não só por salários, pela Previdência ou pelo porte das escolas. Agora, também precisamos resgatar o nosso respeito, a nossa dignidade.
Em tempo: o (des) governador, mesmo pedindo desculpas, age com escárnio: de que adianta pedir desculpas, e depois dizer que foi "o mais ferido" em tudo que houve? Ele deveria dizer isso, primeiramente, para os 213 feridos fisicamente, em seguida para todos os demais que estiveram no Dia 29 no Centro Cívico, e depois para todos os professores , funcionários e estudantes que foram chamados de "baderneiros", "vândalos", "black blocs" e tiveram sua moral ofendida. E cara-a-cara, não numa câmera de televisão,e olhando para o lado, como é de praxe fazer...

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