Após verificar várias opiniões, a
favor da manutenção da Greve, e contra ela, cheguei a uma
conclusão, e explico aqui os meus porquês. Antes de mais nada,
gostaria de lembrar que estou e continuo na luta, que não pretendo
“arregar” para o (des) Governador, participei da “invasão
histórica de 12/2, fui chamado de “baderneiro” e criei um Blog
com esse nome, fui massacrado em 29/4, participei de diversas
caminhadas e procurei manter todos informados pelas redes sociais,
inclusive filtrando os fatos sérios daqueles que eram “imprensa
sensacionalista”. Creio que isso me dá moral para tomar a decisão
de parar a greve. Faço questão de lembrar tudo que fiz, pois
percebo uma certa tendência a se “desconfiar” de quem não quer
a permanência da segunda Greve desse ano, num total de mais de dois
meses parados. Feita essa introdução, coloco meus motivos numa
pequena lista:
1 – começamos essa Greve, em 09/02,
por causa de tudo o que o Governo havia feito nas escolas, no início
do ano, impossibilitando nosso início de ano letivo. De toda a pauta
original da Greve, quase tudo foi resolvido, exceto algumas medidas
marcadas para o Segundo Semestre do Ano, e o debate sobre a
Previdência;
2 – o debate sobre a Previdência foi
o principal motivo do retorno à Greve, em 27/4. Mas a ela foram
acrescentadas as discussões sobre a data-base e o piso, que no
parecer do Presidente Hermes Leão, deveriam ter sido feitos num
debate a parte. Democraticamente, ele aceitou a decisão da
Assembleia, e a pauta foi ampliada. Entramos na segunda Greve com uma
pauta diferente da primeira;
3 – No dia 29/4 fomos derrotados, num
verdadeiro massacre, enquanto a mudança na Previdência foi votada,
à nossa revelia. Desde então, além da pauta de Greve, também
brigamos (?) na justiça sobre a Previdência (assunto 1) e o
Massacre (assunto 2), e não sabemos exatamente quando e como essas
situações serão julgadas;
4 – Nas últimas semanas, temos
ficado em casa, com exceção de irmos a ALEP assistir sessões que
nem sempre tem a ver com os nossos problemas (Ex.: votação sobre
Piraquara tornar-se 'Capital das Águas'), ou fazer panfletagens
(como a do Centenário) e 'tomar café' em frente a casa de deputados
e do (des) Governador, ainda hoje. Estamos longe do nosso 'chão',
que é a escola;
5 – vários professores e
funcionários de escola têm relatado que estão em processo de
depressão, estresse, sistema nervoso abalado, decepção com tudo o
que tem acontecido, e falta de fazer o que sabem, que é trabalhar.
Enquanto a sociedade tem vivido cada dia de forma praticamente igual,
nós estamos até sendo chamados de 'folgados', como já ouvi
relatos;
6 – nossos alunos têm tentado se
virar como podem: alguns foram para escolas particulares (os que
podem) e outros, que não podem, estão a mercê de uma decisão que
nunca chega, e que a cada dia parece ficar mais difícil de
acontecer;
7 – nas últimas semanas, temos
acompanhado, pela televisão, uma briga interminável entre Governo,
e a repreentante do FES (Marlei) e da APP (Hermes), e eles mesmo
dizem que já não conseguem avançar mais do que conseguiram até
agora. Se “demos o aval” a eles, para nos representar, devemos
pesar o que eles dizem ou as suas decisões, e sem ficar chamando-os
de “vendidos”, como temos visto por aí, o que demonstra
claramente uma cisão no grupo, que favorece apenas o Governo;
8 – mesmo voltando para as escolas,
temos consciência (plena) de que a nossa luta continuará, e que
será ainda mais árdua, pois não cremos mais no (des) Governo, e
tudo indica que ele é vingativo. Mais um motivo para evitarmos uma
cisão no grupo, pois precisaremos estar unidos, nos “dias
sombrios” que virão;
9 – não chegamos ao 8,17%, mas
deixamos o (des) Governador com popularidade próxima ao zero,
derrubamos dois secretários, um comandante da PM, colocamos a Rede
Globo (RPC) contra o Governo, acabamos com a “excrecência” da
Comissão Geral, e temos grande parte da população do nosso lado.
Não considero isso com uma derrota;
10 – e, finalmente, a questão
financeira: nem o Sindicato e nem nós, temos condições de arcar
com uma Greve interminável. O FES congrega 14 Sindicatos, e a
maioria está trabalhando, e a população ainda nos apoia, mas não
tem condições de “ir à luta” conosco. Assim, estamos no limiar
da exaustão que, se aliada a descontos na folha de pagamento,
provocará uma cisão ainda maior no movimento. Mesmo que recuperemos
esses valores num futuro distante, não será acrescido de juros.
Assim teremos que fazer “a greve da greve”, caso comecem os
descontos. E, mesmo que levemos a instâncias superiores, levará
tempo até que se tome uma decisão.
Talvez meus motivos pareçam
incipientes para alguns, e talvez precisem de maior discussão. Mas,
tentei elencar os itens conforme o que tenho lido e ouvido, e não
penso só no meu caso, pois sou Professor QPM 40 horas e não tenho
família para sustentar. Penso mais nos professores PSS, nos que
estão em início de carreira, nos funcionários das escolas,
naqueles que têm família, ou precisam do salário por questões de
doença, em nosso alunos mais carentes, cuja merenda escolar é
necessária, assim como o estudo, para que possam romper esse ciclo
de pobreza, entrando em faculdades, e outros casos mais. Procuro ser
técnico, prático e humano, nesse parecer. E, mesmo insatisfeito,
creio ser melhor o retorno para sala de aula, pois essa greve não
será a última, durante esse (des) Governo, mas também não é o
único recurso que temos.
Rogerio Zanetti – Professor de
História do Colégio Estadual Santa Rosa
Nenhum comentário:
Postar um comentário