segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sobre a Greve: Parar ou não parar?

Após verificar várias opiniões, a favor da manutenção da Greve, e contra ela, cheguei a uma conclusão, e explico aqui os meus porquês. Antes de mais nada, gostaria de lembrar que estou e continuo na luta, que não pretendo “arregar” para o (des) Governador, participei da “invasão histórica de 12/2, fui chamado de “baderneiro” e criei um Blog com esse nome, fui massacrado em 29/4, participei de diversas caminhadas e procurei manter todos informados pelas redes sociais, inclusive filtrando os fatos sérios daqueles que eram “imprensa sensacionalista”. Creio que isso me dá moral para tomar a decisão de parar a greve. Faço questão de lembrar tudo que fiz, pois percebo uma certa tendência a se “desconfiar” de quem não quer a permanência da segunda Greve desse ano, num total de mais de dois meses parados. Feita essa introdução, coloco meus motivos numa pequena lista:

1 – começamos essa Greve, em 09/02, por causa de tudo o que o Governo havia feito nas escolas, no início do ano, impossibilitando nosso início de ano letivo. De toda a pauta original da Greve, quase tudo foi resolvido, exceto algumas medidas marcadas para o Segundo Semestre do Ano, e o debate sobre a Previdência;

2 – o debate sobre a Previdência foi o principal motivo do retorno à Greve, em 27/4. Mas a ela foram acrescentadas as discussões sobre a data-base e o piso, que no parecer do Presidente Hermes Leão, deveriam ter sido feitos num debate a parte. Democraticamente, ele aceitou a decisão da Assembleia, e a pauta foi ampliada. Entramos na segunda Greve com uma pauta diferente da primeira;

3 – No dia 29/4 fomos derrotados, num verdadeiro massacre, enquanto a mudança na Previdência foi votada, à nossa revelia. Desde então, além da pauta de Greve, também brigamos (?) na justiça sobre a Previdência (assunto 1) e o Massacre (assunto 2), e não sabemos exatamente quando e como essas situações serão julgadas;

4 – Nas últimas semanas, temos ficado em casa, com exceção de irmos a ALEP assistir sessões que nem sempre tem a ver com os nossos problemas (Ex.: votação sobre Piraquara tornar-se 'Capital das Águas'), ou fazer panfletagens (como a do Centenário) e 'tomar café' em frente a casa de deputados e do (des) Governador, ainda hoje. Estamos longe do nosso 'chão', que é a escola;

5 – vários professores e funcionários de escola têm relatado que estão em processo de depressão, estresse, sistema nervoso abalado, decepção com tudo o que tem acontecido, e falta de fazer o que sabem, que é trabalhar. Enquanto a sociedade tem vivido cada dia de forma praticamente igual, nós estamos até sendo chamados de 'folgados', como já ouvi relatos;

6 – nossos alunos têm tentado se virar como podem: alguns foram para escolas particulares (os que podem) e outros, que não podem, estão a mercê de uma decisão que nunca chega, e que a cada dia parece ficar mais difícil de acontecer;

7 – nas últimas semanas, temos acompanhado, pela televisão, uma briga interminável entre Governo, e a repreentante do FES (Marlei) e da APP (Hermes), e eles mesmo dizem que já não conseguem avançar mais do que conseguiram até agora. Se “demos o aval” a eles, para nos representar, devemos pesar o que eles dizem ou as suas decisões, e sem ficar chamando-os de “vendidos”, como temos visto por aí, o que demonstra claramente uma cisão no grupo, que favorece apenas o Governo;

8 – mesmo voltando para as escolas, temos consciência (plena) de que a nossa luta continuará, e que será ainda mais árdua, pois não cremos mais no (des) Governo, e tudo indica que ele é vingativo. Mais um motivo para evitarmos uma cisão no grupo, pois precisaremos estar unidos, nos “dias sombrios” que virão;
9 – não chegamos ao 8,17%, mas deixamos o (des) Governador com popularidade próxima ao zero, derrubamos dois secretários, um comandante da PM, colocamos a Rede Globo (RPC) contra o Governo, acabamos com a “excrecência” da Comissão Geral, e temos grande parte da população do nosso lado. Não considero isso com uma derrota;

10 – e, finalmente, a questão financeira: nem o Sindicato e nem nós, temos condições de arcar com uma Greve interminável. O FES congrega 14 Sindicatos, e a maioria está trabalhando, e a população ainda nos apoia, mas não tem condições de “ir à luta” conosco. Assim, estamos no limiar da exaustão que, se aliada a descontos na folha de pagamento, provocará uma cisão ainda maior no movimento. Mesmo que recuperemos esses valores num futuro distante, não será acrescido de juros. Assim teremos que fazer “a greve da greve”, caso comecem os descontos. E, mesmo que levemos a instâncias superiores, levará tempo até que se tome uma decisão.

Talvez meus motivos pareçam incipientes para alguns, e talvez precisem de maior discussão. Mas, tentei elencar os itens conforme o que tenho lido e ouvido, e não penso só no meu caso, pois sou Professor QPM 40 horas e não tenho família para sustentar. Penso mais nos professores PSS, nos que estão em início de carreira, nos funcionários das escolas, naqueles que têm família, ou precisam do salário por questões de doença, em nosso alunos mais carentes, cuja merenda escolar é necessária, assim como o estudo, para que possam romper esse ciclo de pobreza, entrando em faculdades, e outros casos mais. Procuro ser técnico, prático e humano, nesse parecer. E, mesmo insatisfeito, creio ser melhor o retorno para sala de aula, pois essa greve não será a última, durante esse (des) Governo, mas também não é o único recurso que temos.


Rogerio Zanetti – Professor de História do Colégio Estadual Santa Rosa

Nenhum comentário:

Postar um comentário